Atalanta
Atalanta
Títulos Conquistados
Nacionais
- 🏆 Serie B – 6 títulos
- 🏆 Coppa Italia – 1 título (1962–63)
Internacionais
- 🏆 UEFA Europa League – 1 título (2023–24)
Ídolos do Clube




O Atalanta Bergamasca Calcio é um dos clubes mais fascinantes e respeitados da Itália, conhecido tanto por sua rica tradição quanto pela impressionante transformação nas últimas décadas.
Fundado em 1907 e sediado na charmosa cidade de Bérgamo, na Lombardia, o clube — carinhosamente apelidado de La Dea — conquistou seu espaço entre os gigantes do futebol europeu com um estilo vibrante, ousado e ofensivo.
Apesar de seu passado marcado por altos e baixos, o Atalanta Bergamasca Calcio sempre preservou uma identidade forte: um clube de base sólida, revelador de talentos e com uma torcida apaixonada que lota o Estádio Gewiss.
Nos últimos anos, sob o comando do técnico Gian Piero Gasperini, a equipe tornou-se símbolo de superação, encantando a Europa com atuações históricas e resultados expressivos.
Este artigo mergulha na trajetória centenária da Atalanta Bergamasca Calcio, explorando sua fundação, títulos, ídolos, momentos inesquecíveis e o impacto recente no cenário internacional. Um verdadeiro tributo à Deusa de Bérgamo.
História do Atalanta
A trajetória da Atalanta Bergamasca Calcio é uma verdadeira epopeia do futebol italiano. Fundado no início do século XX por jovens apaixonados pelo esporte, o clube cresceu a partir das raízes humildes de Bérgamo até se tornar uma força reconhecida nacional e internacionalmente.
Sua história é marcada por fusões estratégicas, campanhas heroicas, ascensões dramáticas, títulos históricos e um compromisso inabalável com a formação de talentos.
Ao longo das décadas, a Atalanta foi muito mais que um time: foi símbolo de resistência, trabalho coletivo e orgulho provincial. Conhecida como La Dea — a Deusa —, tornou-se referência entre os clubes fora dos grandes centros urbanos da Itália, conquistando respeito por seu estilo aguerrido e pela paixão de sua torcida.
Primeiros anos (1900-1920)
Antes mesmo da fundação oficial da Atalanta, a cidade de Bérgamo já respirava esportes por meio de associações como a Bergamasca e a Giovane Orobia. O futebol começou a ganhar força com o Foot Ball Club Bergamo, criado por imigrantes suíços em 1904.
Embora tenha tido vida curta, esse clube pavimentou o caminho para o surgimento da equipe que se tornaria símbolo da cidade.
Durante esse período embrionário, a paixão local pelo esporte crescia mesmo sem uma estrutura consolidada. Era o prenúncio de um clube que, décadas mais tarde, marcaria a história do futebol italiano.
Fundação e reconhecimento oficial (1907-1914)
O Atalanta Bergamasca Calcio foi oficialmente fundado em 17 de outubro de 1907 por estudantes do Liceo Classico Paolo Sarpi. Inspirados pela atleta da mitologia grega, deram o nome “Atalanta” ao clube, simbolizando força e velocidade.
No início, a equipe ainda não contava com campo próprio nem reconhecimento da federação, disputando apenas amistosos locais.
Esse cenário começou a mudar graças à persistência do diretor Pietro Carimanti. Em 1914, o clube foi enfim reconhecido pela Federação Italiana de Futebol (FIGC), e inaugurou seu primeiro campo em Via Maglio del Lotto. Mesmo com estrutura modesta, a equipe já chamava atenção pelo espírito competitivo e por sua organização.
Primeiros campeonatos (1920-1927)
Após a Primeira Guerra Mundial, o clube retomou suas atividades com vigor. Em 1920, fundiu-se com o rival local Bergamasca, consolidando o nome Atalanta Bergamasca Calcio. Essa união definiu as cores preto e azul (nerazzurri), adotadas até hoje.
O desempenho esportivo também começou a evoluir. A Atalanta venceu seu grupo na Seconda Divisione em 1922-23, embora ainda enfrentasse obstáculos estruturais e políticos.
Em 1927, com o artilheiro húngaro Gedeon Lukács brilhando, o clube viveu sua primeira grande campanha nacional, que culminaria, pouco depois, com sua estreia nas divisões superiores do futebol italiano. A Deusa começava a escrever sua história de glórias e desafios.
Payer, Cevenini, Viola e um novo estádio (1927-1933)
Entre o fim da década de 1920 e o início dos anos 1930, o Atalanta Bergamasca Calcio começou a estruturar-se como um clube de maior expressão.
Sob o comando do técnico húngaro Imre Payer, a equipe passou a lutar por objetivos mais ambiciosos, mesmo diante das limitações impostas pelas regras da FIGC, que restringiam a quantidade de estrangeiros em campo.
Payer conduziu o clube a importantes campanhas na Prima Divisione, com destaque para o atacante Gedeon Lukács, autor de cinco gols em uma única partida — um feito histórico mantido até hoje.
Foi também nesse período que a Atalanta inaugurou seu novo estádio, em 1928, no bairro de Borgo Santa Caterina, com capacidade inicial para 12 mil pessoas. Batizado de Estádio Mario Brumana, o local se tornaria o coração do clube e o palco de inúmeras glórias.
Com treinadores como Luigi Cevenini e József Viola, o clube passou a flertar com a elite, com campanhas sólidas na Serie B, mesmo em meio a desafios financeiros. A base estava sendo lançada para o grande salto.
O caminho para a Série A (1933-1940)
A década de 1930 marcou uma virada para o Atalanta Bergamasca Calcio. Após temporadas medianas na Série B, o clube passou a mirar com seriedade o acesso à elite.
Sob o comando de Ottavio Barbieri e depois de uma importante campanha em 1936–37, a equipe conquistou o vice-campeonato da Série B e a histórica promoção à Série A pela primeira vez.
A estreia na elite veio na temporada 1937–38. O início foi promissor, com empates e jogos duros, mas a falta de experiência pesou, e o clube acabou rebaixado. No entanto, a permanência na Série B durou pouco: em 1939–40, com uma campanha sólida, a Atalanta conquistou o título da segunda divisão e garantiu seu retorno à Série A.
O atacante Giovanni Gaddoni brilhou com 25 gols em 31 partidas, estabelecendo um dos recordes mais emblemáticos da história nerazzurra.
A Deusa finalmente se estabelecia entre os grandes do futebol italiano.
Presença contínua na Série A (1949–1962)
Após os desafios da Segunda Guerra Mundial, a Atalanta Bergamasca Calcio encontrou estabilidade no cenário da Série A. Apoiada pelo presidente Daniele Turani e impulsionada por investimentos sólidos, o clube passou a figurar com frequência na primeira divisão e construiu uma reputação de equipe competitiva e aguerrida.
Durante esse período, a Atalanta ficou conhecida como o “terror dos grandes”, colecionando vitórias contra potências como Milan, Inter, Juventus e o histórico Grande Torino. O quinto lugar na temporada 1947–48 foi o melhor desempenho do clube até então na elite italiana.
Esse ciclo foi também marcado por nomes importantes como Severo Cominelli e Carlo Ceresoli, além da chegada de estrangeiros notáveis como os dinamarqueses Sørensen e Hansen. A estrutura do clube crescia, a torcida se fortalecia e o nome Atalanta ganhava cada vez mais peso no futebol nacional.
Campeão da Coppa Italia (1962-1964)
A maior glória da história da Atalanta Bergamasca Calcio no futebol nacional veio na temporada 1962–63, com a conquista inédita e histórica da Coppa Italia. Sob o comando do técnico Paolo Tabanelli e liderada em campo pelo capitão Piero Gardoni, a equipe nerazzurra encantou com um futebol eficiente e decidido.
A campanha teve vitórias marcantes, culminando na final disputada no estádio San Siro, onde a Atalanta venceu o Torino por 3 a 1, com um hat-trick do atacante Angelo Domenghini — um nome que se eternizou no coração dos torcedores. Foi o primeiro grande título da Dea, coroando um período de crescimento e estabilidade.
Com a conquista, o clube garantiu sua primeira participação em uma grande competição europeia, a Taça dos Clubes Vencedores de Taças. Apesar da eliminação precoce para o Sporting, de Portugal, o momento simbolizou a ascensão definitiva da Atalanta como força respeitada no futebol italiano.
De Turani a Bortolotti (1964-1971)

Após o título da Coppa Italia, o clube enfrentou um período de transição e desafios. A morte do presidente Daniele Turani, em 1964, foi um marco difícil — ele havia sido peça-chave na reconstrução do clube no pós-guerra. Seu sucessor, Attilio Vincentini, manteve o clube competitivo, mas os anos seguintes foram marcados por instabilidade.
Nos bastidores, mudanças importantes estavam por vir. Em 1969, Giacomo Baracchi assumiu a presidência, mas durou pouco tempo. Em 1970, Achille Bortolotti assumiu o cargo e daria início a uma das eras mais marcantes na história do clube.
Apesar das participações modestas nas competições continentais secundárias, como a Copa Intertoto e a Mitropa Cup, a Atalanta manteve sua reputação de clube formador, revelando nomes como Gaetano Scirea, que mais tarde seria ídolo da Juventus e da seleção italiana.
Entre a Série A e a Série B (1971–1979)
A década de 1970 foi instável para o Atalanta Bergamasca Calcio, com idas e vindas entre as duas principais divisões do futebol italiano. Após voltar à Série A em 1971, o clube foi rebaixado novamente em 1973, iniciando um ciclo de quatro anos na Série B.
Em 1977, sob o comando de Battista Rota, o clube conquistou o acesso após uma campanha sólida e um playoff decisivo contra Cagliari e Pescara. No elenco, jovens como Antonio Cabrini — que mais tarde brilharia na Juventus e pela seleção italiana — davam sinais da força contínua da base nerazzurra.
Contudo, a permanência na elite seria curta. O clube se manteve na Série A apenas até 1979, quando foi rebaixado mais uma vez. Era o fim de uma década de transição, marcada pela luta contra as adversidades e pela construção de uma base que se mostraria fundamental nos anos seguintes.
Reinicio na Série C (1979–1986)
No final da década de 1970, o Atalanta Bergamasca Calcio viveu o momento mais difícil de sua história.
Após o rebaixamento em 1979 e a frustração por não conseguir o acesso imediato, o clube mergulhou em uma crise que culminou em algo inédito: o rebaixamento para a Série C na temporada 1980–81 — a primeira vez que a Dea descia ao terceiro escalão do futebol italiano.
Foi uma queda dura, mas também um ponto de virada. Sob nova presidência, agora com Cesare Bortolotti, e com o técnico Ottavio Bianchi no comando, a Atalanta se reorganizou rapidamente.
Em 1981–82, venceu seu grupo com autoridade, perdendo apenas duas partidas e com a melhor defesa da competição. O clube voltou à Série B e, em 1983–84, sob Nedo Sonetti, conquistou o título da segunda divisão e retornou à elite após sete anos de ausência.
Esse renascimento mostrou a resiliência da Atalanta — um clube que, mesmo diante da adversidade, soube se reerguer com base forte, gestão renovada e identidade inabalável.
Taça dos Clubes Vencedores de Taças e Copa da UEFA (1986-1990)
Na temporada 1986–87, mesmo com um elenco limitado, a Atalanta Bergamasca Calcio surpreendeu ao chegar à final da Coppa Italia. Apesar da derrota para o Napoli de Maradona, o vice-campeonato garantiu uma vaga histórica na Taça dos Clubes Vencedores de Taças, já que o Napoli disputaria a Liga dos Campeões.
O mais impressionante é que, naquele momento, a Atalanta estava na Série B — tornando-se o clube de segunda divisão com o melhor desempenho na história de uma competição europeia ao alcançar as semifinais do torneio em 1988.
Sob o comando de Emiliano Mondonico, a Dea superou rivais como OFI Creta e Sporting, antes de ser eliminada pelo Mechelen, da Bélgica.
Em 1989, de volta à elite, a equipe conquistou um 6º lugar e se classificou pela primeira vez para a Copa da UEFA. Embora tenha caído na estreia contra o Spartak Moscou, ficou claro que a Atalanta havia recuperado seu status de clube competitivo nacionalmente e em ascensão no cenário continental.
A primeira presidência de Percassi (1990–1994)
Com a morte de Cesare Bortolotti em 1990, a Atalanta entrou em uma nova fase. O empresário Antonio Percassi assumiu a presidência e começou a dar ao clube uma gestão mais empresarial, voltada à modernização e ao desenvolvimento da base — que já era um de seus grandes trunfos.
Durante essa primeira gestão, a Atalanta viveu momentos promissores. Chegou às quartas de final da Copa da UEFA em 1990–91, superando adversários tradicionais como Fenerbahçe e Colônia, antes de ser eliminada pela poderosa Internazionale. Em campo, nomes como Glenn Strömberg e Claudio Caniggia conduziam o time com talento e personalidade.
Fora das quatro linhas, Percassi começou a estruturar um modelo de clube formador, fortalecendo as categorias de base e investindo em jovens talentos. A base dessa filosofia seria essencial nos anos seguintes, mesmo após a queda para a Série B em 1994 — ano em que Percassi deixaria a presidência, abrindo caminho para uma nova era.
Chegada de Ruggeri e retorno de Mondonico (1994-1999)
Com a saída de Antonio Percassi, a presidência da Atalanta Bergamasca Calcio foi assumida por Ivan Ruggeri em 1994. Sua chegada trouxe de volta o técnico Emiliano Mondonico, figura já querida pela torcida, que conduziu o clube ao retorno imediato à Série A em 1995. A campanha de acesso devolveu a confiança ao clube e solidificou a ideia de que o time poderia ser competitivo mesmo com um orçamento mais modesto.
Nos anos seguintes, a Atalanta voltou a frequentar posições intermediárias na elite italiana e alcançou a final da Coppa Italia de 1995–96, mas acabou derrotada pela Fiorentina.
Durante esse período, nomes marcantes vestiram a camisa nerazzurra, como Christian Vieri, Filippo Inzaghi e Domenico Morfeo — todos jovens talentos que explodiram em Bérgamo e depois brilharam em clubes maiores.
Apesar dos bons momentos, a segunda metade da década de 1990 foi marcada por oscilações. Em 1997–98, após o trágico falecimento do atacante Federico Pisani em um acidente de carro, o time mergulhou numa sequência negativa e acabou rebaixado. O clube entrava mais uma vez em uma fase de transição.
Era Vavassori (1999–2003)
Em busca de estabilidade e com foco renovado nas categorias de base, a Atalanta promoveu o ex-jogador Giovanni Vavassori ao comando técnico em 1999.
Com experiência no time Primavera e grande identificação com o clube, Vavassori liderou uma nova geração formada dentro de casa, como os irmãos Zenoni, o goleiro Pelizzoli e o zagueiro Gianpaolo Bellini, que faria carreira inteira no clube.
Logo em sua primeira temporada como treinador principal, Vavassori levou a Atalanta de volta à Série A. Nas duas campanhas seguintes, o time surpreendeu positivamente, terminando em 7º lugar em 2001 e 9º em 2002, com atuações sólidas e um jogo bem organizado.
Foi nesse período também que Cristiano Doni emergiu como principal ídolo da torcida, se destacando pelo talento e poder de decisão.
Entretanto, na temporada 2002–03, uma campanha irregular levou a equipe a disputar um playoff de rebaixamento contra a Reggina — e a derrota consumou mais uma queda para a Série B, encerrando a promissora Era Vavassori.
Dois rebaixamentos e a primeira era Colantuono (2003-2008)
Após o novo rebaixamento, a Atalanta voltou à Série B com o técnico Andrea Mandorlini, que recolocou o clube na elite na temporada 2003–04. No entanto, o retorno à Série A foi breve. A campanha de 2004–05, mesmo com a presença de bons nomes como Montolivo e Pazzini, resultou em novo rebaixamento — o segundo em apenas três anos.
Foi então que surgiu uma figura crucial para os anos seguintes: Stefano Colantuono. Contratado em 2005, o jovem treinador rapidamente recolocou a Atalanta na Série A, vencendo a Série B de 2005–06 com uma campanha dominante. No retorno à elite, o clube surpreendeu e terminou em 8º lugar em 2006–07, com um futebol competitivo e envolvente.
Mesmo com esse bom desempenho, Colantuono deixou o clube ao fim da temporada. Foi substituído por Luigi Delneri, mas a base construída por ele e o novo clima de confiança deixaram claro: a Atalanta havia recuperado sua ambição. A fundação estava lançada para voos mais altos na década seguinte.
Presidência de Alessandro Ruggeri (2008–2010)
Após o derrame cerebral de Ivan Ruggeri, em 2008, seu filho Alessandro Ruggeri assumiu a presidência da Atalanta Bergamasca Calcio. Embora jovem e inexperiente, Alessandro tentou dar continuidade ao legado do pai, mantendo o clube competitivo na Série A e investindo em reforços pontuais.
Na temporada 2008–09, a Atalanta realizou boas partidas, incluindo vitórias expressivas contra clubes como Roma e Internazionale, mas não conseguiu embalar o suficiente para sonhar com competições europeias. Em campo, jogadores como Cristiano Doni, já veterano, continuavam a ser a alma do time.
Contudo, a temporada seguinte trouxe instabilidade. Após más escolhas no comando técnico, como a breve passagem de Angelo Gregucci e depois Antonio Conte, o clube não conseguiu se recuperar e acabou sendo rebaixado à Série B ao final da campanha de 2009–10.
A queda marcou o fim da Era Ruggeri, com a venda do clube para um velho conhecido da torcida.
Volta para a Série A e Calcioscommesse (2010–2012)
Em junho de 2010, Antonio Percassi retornou à presidência da Atalanta e deu início a uma nova fase de profissionalização e ambição. O primeiro passo foi a contratação de Stefano Colantuono, em sua segunda passagem pelo clube. Juntos, conduziram a equipe ao título da Série B de 2010–11, com uma campanha sólida e dominante.
No entanto, a alegria do retorno à elite foi abalada pelo envolvimento do clube no escândalo de manipulação de resultados conhecido como Calcioscommesse. O ídolo Cristiano Doni foi apontado como um dos envolvidos, sendo banido do futebol em 2011. A Atalanta iniciou a temporada 2011–12 da Série A com uma penalidade de seis pontos.
Mesmo com esse peso, a equipe demonstrou grande resiliência e, liderada por nomes como German Denis e Maxi Moralez, conquistou 52 pontos no campeonato — terminando com folga acima da zona de rebaixamento. O espírito de superação voltou a ser marca registrada da Dea.
Anos finais de Colantuono e Reja (2012–2016)
A penalização por conta do Calcioscommesse se estendeu para a temporada 2012–13, mas novamente a Atalanta Bergamasca Calcio mostrou força. Com Colantuono no comando, o time superou as adversidades e garantiu a permanência na elite por mais três temporadas consecutivas, sempre com campanhas sólidas e consistentes.
No entanto, em 2014–15, a equipe começou a perder fôlego. O desempenho caiu e Colantuono foi demitido após cinco anos no cargo — a passagem mais longa de um técnico pelo clube em décadas. Edoardo Reja assumiu e conseguiu manter a Atalanta na Série A, mas o futebol apresentado já mostrava sinais de esgotamento.
A temporada de 2015–16 seguiu com dificuldades. Mesmo escapando do rebaixamento, ficou evidente que o clube precisava de renovação. Foi então que uma nova era se desenhou com a chegada de um treinador que mudaria o rumo da história: Gian Piero Gasperini.
Quarto lugar e qualificação da Liga Europa (2016–2017)
A temporada 2016–17 marcou um divisor de águas na história da Atalanta Bergamasca Calcio. Sob o comando do recém-chegado Gian Piero Gasperini, a equipe iniciou o campeonato com dificuldades e somou apenas três pontos nas cinco primeiras rodadas — desempenho que quase custou o cargo do treinador.
Porém, a diretoria manteve a confiança, e a decisão se revelou acertada.
A partir da sexta rodada, a Dea viveu uma das campanhas mais extraordinárias de sua trajetória: vitórias contra Napoli, Inter e Roma embalaram a equipe rumo ao topo da tabela.
Com um elenco repleto de jovens formados na base, como Mattia Caldara, Andrea Conti, Roberto Gagliardini e Franck Kessié, a Atalanta apresentou um futebol ofensivo, moderno e extremamente competitivo.
O resultado foi histórico: 4º lugar na Série A com 72 pontos — o melhor desempenho do clube até então. A classificação direta para a fase de grupos da UEFA Europa League selou o retorno do clube às competições continentais após 26 anos e iniciou oficialmente a Era Gasperini.
Continuação de resultados positivos (2017–2019)
A temporada 2017–18 consolidou a Atalanta como presença constante na parte de cima da tabela. Mesmo com a saída de algumas promessas, o clube terminou em 7º lugar, garantindo vaga nas eliminatórias da Liga Europa. Além disso, chegou às semifinais da Coppa Italia, mostrando que o bom momento não era passageiro.
Na Europa, surpreendeu ao liderar um grupo com Everton, Lyon e Apollon Limassol, mas foi eliminada nas oitavas de final pelo Borussia Dortmund, em uma disputa equilibrada. Em campo, nomes como Papu Gómez, Josip Iličić e Bryan Cristante se destacavam no esquema ofensivo de Gasperini.
Na temporada 2018–19, o clube começou irregular, mas engrenou no returno com atuações dominantes.
Eliminou a Juventus da Coppa Italia com um sonoro 3 a 0 e chegou à final do torneio, sendo derrotado pela Lazio. Na Série A, terminou em 3º lugar, com o melhor ataque do campeonato (77 gols), e conquistou pela primeira vez uma vaga na UEFA Champions League.
Aparições na Liga dos Campeões (2019–Presente)
A estreia da Atalanta Bergamasca Calcio na Liga dos Campeões em 2019–20 foi épica. Mesmo com três derrotas nos três primeiros jogos da fase de grupos, a equipe reagiu e venceu os dois jogos seguintes, garantindo a classificação às oitavas de final — feito inédito para um clube que estreava na competição.
Nas oitavas, a Atalanta eliminou o Valencia com um placar agregado de 8 a 4, antes de ser superada nas quartas pelo Paris Saint-Germain por 2 a 1, com dois gols sofridos nos minutos finais. A campanha foi encerrada como uma das mais emocionantes da Champions League naquele ano.
Internamente, a Atalanta manteve o alto nível. Ficou em 3º lugar na Série A de 2019–20 e 2020–21, sempre com um ataque demolidor liderado por Iličić, Duván Zapata e Luis Muriel.
O clube voltou à Champions na temporada seguinte e disputou novamente a fase de grupos, desta vez enfrentando Liverpool, Ajax e Midtjylland — vencendo os ingleses em pleno Anfield por 2 a 0.
A Dea passou a ser vista como um símbolo de excelência esportiva e planejamento estratégico. Sob Gasperini, a Atalanta conquistou respeito internacional, provando que um clube fora do eixo tradicional pode competir no mais alto nível da Europa.
Símbolos do Clube

A identidade da Atalanta Bergamasca Calcio está fortemente representada em seus símbolos, que unem tradição, história e orgulho regional. Mais do que simples elementos visuais, eles são expressões da alma nerazzurra e carregam o espírito competitivo que moldou o clube ao longo das décadas.
Uniformes
Os uniformes da Atalanta são facilmente reconhecíveis por suas listras verticais em azul e preto, uma combinação adotada oficialmente após a fusão com o clube Bergamasca, em 1920. Essa escolha de cores representa não apenas a união das duas instituições, mas também a força e elegância que o clube deseja transmitir.
Com o passar dos anos, os uniformes evoluíram em design e tecnologia, com fabricantes como Puma, Lotto, Joma e, atualmente, New Balance, oferecendo modelos modernos e funcionais.
Os uniformes alternativos costumam variar entre branco, dourado ou tons escuros, sempre respeitando a identidade visual da equipe. Em 2020, um uniforme especial com o desenho de uma garota correndo substituindo o brasão causou grande comoção, simbolizando dinamismo e juventude.
Escudo
O escudo da Atalanta é um dos mais elegantes e simbólicos do futebol europeu. Nele, está estampado o perfil de Atalanta, personagem da mitologia grega que dá nome ao clube. A figura da corredora representa velocidade, liberdade e força — qualidades que traduzem o estilo de jogo do time.
Ao longo da história, o escudo passou por pequenas reformulações, mas sempre manteve a essência: o rosto feminino com cabelos ao vento, envolto pelas cores preto e azul. É um símbolo de resistência e orgulho da província de Bérgamo.
Bandeira
A bandeira oficial da Atalanta segue o padrão nerazzurro, com faixas verticais azuis e pretas e, ao centro, o escudo do clube. Ela é um dos símbolos mais presentes nas arquibancadas do Gewiss Stadium, empunhada com orgulho pela torcida apaixonada, especialmente na Curva Nord.
Mais do que um pano, a bandeira representa a devoção dos torcedores por sua Deusa. É com ela que a Atalanta entra em campo em todas as batalhas, dentro e fora da Itália.
Mascote
A mascote da Atalanta Bergamasca Calcio é uma representação direta de sua musa inspiradora: Atalanta, a velocista da mitologia grega. Embora o clube não tenha um mascote “animal” típico como outros times, a figura simbólica da atleta — jovem, ágil e determinada — é amplamente usada como ícone oficial.
Em diversas campanhas promocionais, desenhos e animações, essa personagem é retratada como uma deusa guerreira ou corredora, reforçando os valores de força, coragem e velocidade que moldam a identidade do clube.
Ela simboliza não apenas o espírito de competição, mas também a origem culta e mitológica do nome escolhido pelos fundadores em 1907.
Hino
O hino da Atalanta é uma verdadeira celebração da paixão de Bérgamo pelo clube. Intitulado “Inno ufficiale dell’Atalanta”, o cântico exalta a força da torcida, o orgulho regional e a tradição nerazzurra. Sua melodia empolgante e a letra carregada de emoção ecoam em cada jogo no Gewiss Stadium, especialmente na Curva Nord, onde os ultras entoam com fervor.
A letra fala de glória, de amor incondicional e da vontade de vencer, unindo gerações de torcedores. Não é apenas um símbolo sonoro — é um laço emocional que conecta o clube à sua gente.
Cores
As cores da Atalanta Bergamasca Calcio são o azul e o preto, formando o tradicional uniforme listrado verticalmente. Essa identidade visual foi estabelecida oficialmente após a fusão com o clube Bergamasca em 1920, quando se uniram o preto e branco da Atalanta original com o azul e branco do clube rival.
O azul simboliza nobreza, lealdade e tranquilidade — características desejadas no comportamento esportivo. Já o preto representa força, seriedade e resistência. Juntas, essas cores se tornaram sinônimo de bravura, tradição e identidade para a cidade de Bérgamo e seus torcedores espalhados pela Itália e pelo mundo.
Estrutura e patrimônio
A Atalanta Bergamasca Calcio é um exemplo notável de clube que, mesmo fora dos grandes centros italianos, construiu uma estrutura sólida, moderna e independente.
Investindo com inteligência em infraestrutura, a Dea consolidou um patrimônio que a sustenta não apenas esportivamente, mas também como modelo de gestão para clubes de médio porte na Europa.
Hoje, a Atalanta é dona do seu próprio estádio — um feito raro no futebol italiano — e possui um centro de treinamento de alto nível. Essa base física é o alicerce de um projeto esportivo consistente, que alia desempenho de elite à formação de talentos.
Gewiss Stadium
O Gewiss Stadium, também conhecido historicamente como Stadio Atleti Azzurri d’Italia, é a casa da Atalanta desde 1928. Localizado em Bérgamo, no bairro Borgo Santa Caterina, o estádio foi adquirido pelo clube em 2017 — tornando a Atalanta uma das poucas equipes italianas a possuir sua própria arena.
Com capacidade atual para cerca de 21.000 espectadores, o Gewiss Stadium passou por reformas estruturais profundas nos últimos anos.
As obras modernizaram arquibancadas, acessos, iluminação e gramado, adequando o estádio aos padrões da UEFA para receber partidas da Liga dos Campeões. A requalificação, concluída em etapas, reforça o vínculo entre clube, cidade e torcida.
Mais do que um local de jogos, o Gewiss é símbolo de independência e orgulho. Ali, a Atalanta construiu seus momentos mais épicos recentes — como a classificação histórica para a Champions League e os jogos decisivos da Liga Europa.
Centro de treinamento (Zingonia)
O centro de treinamento da Atalanta está situado em Zingonia, na província de Bérgamo, e é reconhecido como um dos mais eficientes da Itália. Inaugurado em 1984 e ampliado diversas vezes desde então, o local é fundamental para o sucesso esportivo e para o renome da base do clube.
É em Zingonia que a Atalanta desenvolve seus talentos — muitos dos quais chegam à equipe principal ou são negociados com grandes clubes europeus. A estrutura atende tanto o elenco profissional quanto as categorias de base, com campos de treinamento, áreas médicas, academia, centro de análise de desempenho e alojamentos.
Além de ser uma peça central da política de formação, Zingonia representa a visão de longo prazo do clube: formar, revelar, competir e crescer com responsabilidade. É onde o DNA nerazzurro ganha forma todos os dias.
Estatísticas
A história centenária da Atalanta Bergamasca Calcio está repleta de números marcantes que ajudam a contar a grandeza silenciosa da Dea. Em campo, o clube se destacou por revelar talentos, marcar gols memoráveis e escrever capítulos épicos mesmo fora do eixo dos gigantes italianos. As estatísticas abaixo refletem essa trajetória sólida e apaixonante.
Maiores artilheiros da história

O maior goleador da história da Atalanta é Cristiano Doni, símbolo de uma era e referência técnica em campo. Com 112 gols, Doni lidera com folga o ranking e é lembrado não apenas pelos números, mas pela liderança e identificação com o clube.
Outros grandes nomes completam o top 5:
- Duván Zapata – 82 gols
- Luis Muriel – 68 gols
- Severo Cominelli – 65 gols
- Josip Iličić – 60 gols
Essa lista mistura gerações e mostra o poder ofensivo que marcou o estilo da Atalanta nos últimos anos, principalmente sob Gasperini.
Jogadores com mais jogos
A lenda Gianpaolo Bellini é o jogador que mais vezes vestiu a camisa nerazzurra: 435 partidas ao longo de 18 anos de carreira dedicados exclusivamente à Atalanta.
Abaixo, outros nomes históricos:
- Marten de Roon – 345 jogos (e contando)
- Valter Bonacina – 331 jogos
- Cristiano Doni – 323 jogos
- Rafael Tolói – 294 jogos (atualmente no elenco)
Esses atletas representam não só talento, mas longevidade, entrega e fidelidade ao clube.
Maiores goleadas
A Atalanta também coleciona placares expressivos, tanto em solo italiano quanto europeu. Sob o comando de Gasperini, a equipe viveu uma era de domínio ofensivo que gerou vitórias históricas:
- 7×0 sobre o Torino (2020, fora de casa) – Maior goleada da Atalanta na Serie A e pior derrota da história do Torino em casa.
- 5×0 sobre o Milan (2019) – A pior derrota milanista em mais de duas décadas, em pleno Gewiss Stadium.
- 8×4 contra o Valencia (2020, Liga dos Campeões) – Placar agregado nas oitavas de final da Champions League; uma das eliminatórias mais espetaculares do torneio.
Essas estatísticas confirmam o que a torcida já sabe: quando a Dea está inspirada, ninguém segura.
Campanhas históricas em ligas europeias
A trajetória da Atalanta Bergamasca Calcio nas competições europeias é uma história de superação, ousadia e conquistas improváveis. Apesar de não ser uma figurante constante nos torneios da UEFA, a Dea protagonizou campanhas memoráveis que marcaram o futebol continental.
- 1987–88 – Taça dos Clubes Vencedores de Taças
Mesmo disputando a Série B, a Atalanta chegou às semifinais da competição, eliminando o Sporting e o OFI Creta antes de cair para o Mechelen. Até hoje, é o melhor desempenho de um clube fora da elite em torneios europeus. - 2019–20 – Liga dos Campeões da UEFA
Na sua estreia na Champions League, a Atalanta perdeu os três primeiros jogos, mas reagiu com duas vitórias e um empate, garantindo vaga nas oitavas. Depois, eliminou o Valencia (8×4 no agregado) e só caiu nas quartas de final, nos acréscimos, diante do PSG. Uma campanha histórica e emocionante. - 2023–24 – Liga Europa da UEFA (campeã)
A maior conquista da história da Atalanta veio nesta temporada. A equipe superou gigantes como Sporting, Liverpool, Olympique de Marseille e, na final, aplicou 3×0 sobre o invicto Bayer Leverkusen, com show de Ademola Lookman, autor de um hat-trick. Foi o primeiro título internacional do clube e o ponto alto da Era Gasperini.
Essas campanhas transformaram a imagem da Atalanta na Europa, elevando-a ao patamar de clubes respeitados no cenário internacional — e sempre com um futebol ofensivo e vibrante.
Participações na Série A
Participações na Série A
A Atalanta Bergamasca Calcio é uma das equipes mais tradicionais do futebol italiano, mesmo não sendo sediada em uma capital regional. Até hoje, o clube disputou:
- 60 temporadas na Série A
- 28 temporadas na Série B
- 1 temporada na Série C
A presença constante na elite, especialmente nas últimas décadas, consolidou a Atalanta como a chamada “Rainha dos provinciais”, o clube de fora dos grandes centros que mais vezes competiu no topo do futebol nacional.
Com um crescimento esportivo e estrutural notável desde 2010, a Atalanta transformou sua reputação de clube médio em protagonista da Serie A, colecionando campanhas no G4 e presença frequente em torneios da UEFA. A Dea deixou de ser surpresa — e hoje, é realidade.
Categorias de Base
A base da Atalanta Bergamasca Calcio é considerada uma das mais respeitadas e produtivas da Europa.
Com um modelo de formação consolidado ao longo das décadas, o clube de Bérgamo transformou seu centro de treinamento em Zingonia em um verdadeiro celeiro de talentos — tanto para o próprio elenco principal quanto para o futebol italiano e internacional.
Desde as divisões sub-8 até o time Primavera (sub-19), a Atalanta investe fortemente em estrutura, metodologia e acompanhamento técnico e psicológico dos jovens atletas. O clube preza por formar jogadores completos, com valores dentro e fora de campo.
Diversos craques surgiram da base nerazzurra, como:
- Gaetano Scirea – Um dos maiores zagueiros da história da Juventus e campeão mundial com a Itália em 1982.
- Cristiano Doni – Ídolo máximo da Atalanta no século XXI.
- Giampaolo Bellini – O jogador que mais vestiu a camisa do clube, formado integralmente em Zingonia.
- Riccardo Montolivo, Manolo Gabbiadini, Daniele Baselli, Davide Zappacosta e os irmãos Zenoni também passaram pela base antes de alcançar clubes maiores e a seleção.
Mais recentemente, a Atalanta revelou talentos como Alessandro Bastoni, campeão da Euro 2020 com a Itália, e Scalvini, jovem zagueiro que já atua com protagonismo tanto na Serie A quanto na seleção italiana.
Além de sua qualidade técnica, a base da Atalanta é uma importante fonte de receita para o clube, que equilibra as finanças com transferências inteligentes, sem abrir mão da competitividade. É um exemplo de projeto de longo prazo que dá frutos concretos — em campo e no caixa.
Ídolos e Personagens Históricos
Ao longo de mais de um século de história, a Atalanta Bergamasca Calcio revelou e acolheu grandes nomes que marcaram gerações, dentro e fora das quatro linhas. São jogadores, treinadores e dirigentes que se tornaram ídolos imortais para a torcida nerazzurra — e alguns deles até mesmo para o futebol mundial.
Cristiano Doni
Símbolo máximo da era moderna da Atalanta, Doni foi capitão, artilheiro e líder técnico. Disputou mais de 300 jogos e marcou 112 gols, sendo o maior goleador da história do clube. Carismático e decisivo, é lembrado como o coração da equipe nos anos 2000, apesar da polêmica participação no caso Calcioscommesse.
Gianpaolo Bellini
É o jogador que mais vezes vestiu a camisa nerazzurra, com 435 partidas. Formado em Zingonia, jogou toda a carreira na Atalanta (1998–2016) e se tornou o símbolo da fidelidade ao clube. Seu nome está eternizado como referência de profissionalismo e amor à camisa.
Angelo Domenghini
Autor do hat-trick na final da Coppa Italia de 1963, Domenghini é o herói da maior conquista da história nacional da Atalanta. Revelado pela base, brilhou também pela seleção italiana, sendo vice-campeão do mundo em 1970.
Gaetano Scirea
Embora tenha feito história na Juventus, Scirea foi revelado pela Atalanta e sempre será lembrado em Bérgamo. Um dos zagueiros mais elegantes e técnicos da história do futebol, campeão mundial em 1982.
Josip Iličić
Ídolo recente, foi peça-chave nas campanhas europeias sob Gasperini. Protagonista na Champions 2019–20, marcou 4 gols contra o Valencia nas oitavas de final. Técnica refinada, gols decisivos e carisma conquistaram o coração dos torcedores.
Gian Piero Gasperini
O técnico mais revolucionário da história do clube. Desde 2016, transformou a Atalanta em potência ofensiva e presença constante nas competições europeias. Comandou campanhas históricas na Champions e o título da Liga Europa em 2024. É o arquiteto da Era de Ouro da Dea.
Antonio Percassi
Empresário e presidente visionário, conduziu a profissionalização do clube em duas gestões (1990–94 e 2010–presente). Sob sua liderança, a Atalanta cresceu financeiramente, estruturou seu patrimônio e alcançou feitos inéditos no futebol europeu.
Esses personagens não apenas ajudaram a construir a história da Atalanta — eles são a história da Atalanta. A Dea, com sua identidade forte e regional, soube transformar talentos em lendas.
Torcida e Cultura
A torcida da Atalanta Bergamasca Calcio é considerada uma das mais apaixonadas e fiéis da Itália. Mesmo representando uma cidade de médio porte como Bérgamo, a massa nerazzurra é conhecida pela presença intensa no Gewiss Stadium, pelo apoio incondicional e pelo orgulho de representar sua região contra os gigantes nacionais.
Mais do que um clube, a Atalanta é parte da identidade cultural de Bérgamo. A relação entre cidade e time é visceral, quase tribal, com raízes profundas que atravessam gerações de famílias bergamascas. O estádio não é apenas um palco de futebol — é um templo onde a devoção pela Dea é celebrada a cada rodada.
Torcidas organizadas
A principal força da arquibancada é a Curva Nord, coração pulsante do estádio e casa das torcidas organizadas. Entre elas, se destaca a “Brigate Neroazzurre”, fundada em 1976 e uma das mais tradicionais da Itália. Apesar de já ter sido extinta oficialmente, sua simbologia ainda ecoa entre os ultras atuais.
Outros grupos, como Sostegno Atalanta, Forever Atalanta e Wild Kaos, compõem o tecido vibrante da arquibancada.
Eles são responsáveis por coreografias marcantes, cantos incessantes e por transformar os jogos da Atalanta em verdadeiros espetáculos de apoio coletivo. A rivalidade com as torcidas de Brescia, Verona, Roma e Napoli é acentuada, enquanto há respeito mútuo com torcidas como a do Ternana e da torcida escocesa do Celtic.
Impacto cultural
O impacto da Atalanta transcende o futebol. Em Bérgamo, o clube é patrimônio cultural e emocional. O azul e preto estão presentes nas ruas, no comércio, nas escolas e até nas festas populares. O clube é uma das formas mais viscerais de expressão da bergamasquice — um símbolo da luta, da humildade e da dignidade do povo local.
Durante a pandemia de COVID-19, Bérgamo foi uma das cidades mais afetadas da Europa. O clube desempenhou papel fundamental ao dar visibilidade internacional à cidade e, posteriormente, promover ações de solidariedade.
O sucesso da Atalanta na Champions League em 2020, logo após esse período trágico, foi interpretado por muitos como uma forma de ressurreição coletiva e emocional para a cidade.
Homenagens
A Atalanta sabe valorizar sua história e seus ídolos. Entre as homenagens mais notáveis:
- Estádio Federico Pisani: O campo de treino da base leva o nome do jovem atacante falecido tragicamente em 1997, em um acidente de carro.
- Faixas e murais na Curva Nord: Ídolos como Doni, Bellini e Scirea são frequentemente homenageados com bandeiras, faixas e grafites.
- Minuto de silêncio coletivo: Após o impacto da pandemia, a torcida fez diversas homenagens às vítimas de Bérgamo, unindo futebol e luto em gestos tocantes de empatia e memória.
A cultura da Atalanta é, acima de tudo, uma cultura de resistência, orgulho e amor incondicional. Uma torcida que faz de cada jogo uma batalha — e de cada vitória, uma celebração da alma bergamasca.
Rivalidades Históricas
A Atalanta Bergamasca Calcio não é apenas um clube com grande torcida e tradição — é também protagonista de rivalidades marcantes no futebol italiano. Algumas delas são carregadas de tensão histórica e regional, enquanto outras se intensificaram nos últimos anos devido ao crescimento esportivo da Dea.
Brescia (rivalidade regional mais intensa – Derby della Lombardia)
A rivalidade mais antiga e visceral da Atalanta é com o Brescia Calcio, no clássico conhecido como Derby della Lombardia ou Derby do Lago de Iseo, devido à proximidade entre as duas cidades (cerca de 50 km).
Trata-se de uma rivalidade regional e cultural profunda, marcada não apenas pela competição esportiva, mas também por antagonismos sociais e até dialetais entre as populações de Bérgamo e Brescia.
O confronto é frequentemente acompanhado de clima tenso, arquibancadas fervorosas e até incidentes fora de campo. Para a torcida da Atalanta, vencer o Brescia é mais do que conquistar três pontos — é uma afirmação de superioridade histórica e identitária.
Embora os encontros tenham se tornado raros nos últimos anos devido à distância entre divisões, o clássico segue sendo um dos mais intensos e autênticos da Itália.
Milan, Inter, Juventus (rivalidades competitivas recentes)
Com a ascensão meteórica da Atalanta sob o comando de Gian Piero Gasperini, surgiram novas rivalidades competitivas com os gigantes do norte da Itália: Milan, Internazionale e Juventus. Esses confrontos deixaram de ser duelos previsíveis e passaram a ser verdadeiras batalhas por posições na parte de cima da tabela e por vagas em competições europeias.
- Contra o Milan, a rivalidade ganhou força após goleadas históricas da Atalanta, como o 5×0 em 2019, uma das maiores derrotas da história rossonera na Serie A moderna.
- Com a Internazionale, o duelo se acirrou por disputas diretas por Champions League e semifinais de Coppa Italia. O respeito é mútuo, mas a intensidade em campo é evidente.
- A Juventus, por sua vez, enfrentou a Atalanta em decisões recentes de Coppa Italia (final em 2021) e passou a encarar o clube de Bérgamo como um rival direto — algo impensável duas décadas atrás.
Essas novas rivalidades são fruto da transformação da Atalanta em um time grande por mérito esportivo, respeitado por todos e temido até pelos maiores da Itália. É a Dea mostrando que também sabe jogar entre gigantes — e vencê-los.
Títulos Conquistados pelo Atalanta
Embora não esteja entre os clubes mais vitoriosos da Itália, a Atalanta Bergamasca Calcio construiu sua grandeza com suor, identidade própria e vitórias marcantes. Seus troféus são celebrados com intensidade pela torcida, pois representam superação, trabalho coletivo e, acima de tudo, fidelidade a uma trajetória longeva e honesta no futebol italiano e europeu.
Títulos nacionais
Coppa Italia: 1 título
- 1962–63 – A maior glória nacional do clube, vencida com um sonoro 3×1 sobre o Torino na final, com hat-trick de Angelo Domenghini.
- Além do título, a Atalanta chegou a cinco finais de Coppa Italia (1986–87, 1995–96, 2018–19, 2020–21 e 2023–24), sendo vice-campeã em todas.
Série B: 6 títulos
- 1927–28, 1939–40, 1958–59, 1983–84, 2005–06 e 2010–11
- A Dea é uma das maiores campeãs da segunda divisão italiana, símbolo de sua constante luta e ressurgimento ao longo da história.
Títulos internacionais
Liga Europa da UEFA: 1 título
- 2023–24 – Uma conquista histórica e o primeiro título internacional da Atalanta. A equipe derrotou gigantes como Liverpool e Marseille, e goleou o invicto Bayer Leverkusen na final por 3×0, com um hat-trick de Ademola Lookman.
Semifinalista da Taça dos Clubes Vencedores de Taças: 1987–88
- Um feito notável, pois o clube estava na Série B na época. Caiu para o Mechelen da Bélgica, que se tornaria campeão.
Títulos amistosos relevantes
Embora o foco da Atalanta nunca tenha sido torneios amistosos, o clube participou e venceu algumas competições de pré-temporada de prestígio local e internacional, como:
- Trofeo Bortolotti – Torneio anual organizado pela própria Atalanta em homenagem ao ex-presidente Achille Bortolotti.
- Torneios de verão contra clubes italianos e europeus, vencendo equipes como Borussia Dortmund e Schalke 04 em pré-temporadas recentes.
Os títulos da Atalanta são mais do que troféus: são testemunhos de resistência, paixão e crescimento sustentável. Com o histórico recente, a Dea não só entrou no mapa dos vencedores, como provou que tem condições de continuar escrevendo sua história entre os grandes.
Administração e Finanças
A Atalanta Bergamasca Calcio é, hoje, um dos melhores exemplos de gestão eficiente e sustentável no futebol europeu. Seu crescimento esportivo na última década é reflexo direto de uma administração sólida, baseada em planejamento de longo prazo, equilíbrio financeiro e um modelo de negócio inteligente.
Modelo de Gestão
Desde que Antonio Percassi reassumiu a presidência em 2010, a Atalanta passou por um processo profundo de profissionalização. O clube adotou uma estrutura corporativa clara, com setores bem definidos (comercial, técnico, base, finanças, marketing e jurídico), promovendo transparência e agilidade nas decisões.
Percassi, empresário bem-sucedido e fundador do grupo Percassi (proprietário de redes como KIKO Milano, Womo e colaborador da Nike na Itália), trouxe uma visão empresarial ao futebol, tratando o clube como uma marca em expansão — sem perder o vínculo com sua essência bergamasca.
Sustentabilidade Financeira
A Atalanta é reconhecida por manter as contas em dia, sem depender de grandes aportes externos. Seu modelo financeiro se baseia em três pilares principais:
- Venda de jogadores formados em Zingonia ou comprados com baixo custo: o clube é especialista em comprar barato, desenvolver e vender caro, com exemplos como Bastoni, Kessié, Cristante, Gagliardini, Romero, Kulusevski e Amad Diallo.
- Premiações e receitas europeias: a presença frequente na Liga Europa e Liga dos Campeões trouxe receitas milionárias e alavancou a capacidade de investimento.
- Acordos de naming rights e parcerias comerciais: como o contrato com a Gewiss, que nomeou o estádio e ampliou a visibilidade da marca.
Em 2021, o clube chegou a fechar uma parceria com o fundo norte-americano B.C. Partners, que adquiriu 55% das ações da empresa Atalanta Bergamasca Calcio S.p.A., mantendo a família Percassi no comando executivo. A entrada de capital estrangeiro foi feita com responsabilidade, para garantir competitividade sem comprometer a independência do clube.
Investimento em Infraestrutura
Grande parte das receitas foi revertida para melhorias estruturais:
- Reforma completa do Gewiss Stadium, com padrão UEFA.
- Ampliação e modernização do centro de treinamento em Zingonia.
- Criação de programas de educação e suporte psicológico para atletas da base.
Marketing e Comunicação
Nos últimos anos, a Atalanta Bergamasca Calcio transformou-se não apenas em uma potência esportiva, mas também em um case de sucesso em marketing e comunicação no futebol italiano. A Dea soube alinhar sua ascensão dentro de campo com uma imagem institucional forte, moderna e emocionalmente conectada à sua torcida — e ao mundo.
Reposicionamento de Marca
Historicamente vista como um clube regional e modesto, a Atalanta reposicionou sua marca no cenário europeu com base em três pilares:
- Orgulho local: valorizando suas raízes bergamascas e promovendo o clube como símbolo de identidade e superação.
- Futebol vibrante: associando a marca ao estilo de jogo ofensivo, moderno e corajoso sob Gian Piero Gasperini.
- Conexão emocional: explorando narrativas reais e humanas, especialmente após a pandemia, quando a cidade de Bérgamo foi fortemente afetada.
Essa nova identidade é hoje percebida como algo autêntico e admirável, tanto por torcedores quanto por analistas da indústria esportiva.
Presença Digital
A Atalanta investiu com qualidade em sua presença digital, ampliando significativamente o alcance de sua marca:
- Redes sociais ativas (Instagram, X, Facebook, YouTube e TikTok), com conteúdo em vários idiomas, incluindo inglês e espanhol.
- Produção de vídeos com bastidores, entrevistas exclusivas, bastidores de treinos e conteúdo voltado à torcida jovem.
- Lançamento de NFTs, eCommerce internacional e campanhas de engajamento com torcedores fora da Itália.
A comunicação é alinhada com os valores do clube: autenticidade, paixão e crescimento com humildade.
Parcerias e Patrocínios
Com a nova fase, o clube atraiu patrocinadores mais expressivos. O contrato de naming rights com a Gewiss é um exemplo, além de parcerias com empresas como Plus500, RadiciGroup e Joma (anterior), agora substituída pela fornecedora americana New Balance.
As campanhas publicitárias mantêm um tom emocional e orgulhoso, reforçando o valor da Dea como símbolo da cidade e exemplo de superação.
Ações com a Comunidade
A Atalanta mantém uma forte ligação social com Bérgamo, por meio de iniciativas como:
- Visitas de jogadores a hospitais e escolas.
- Programas de educação esportiva com crianças da rede pública.
- Homenagens às vítimas da pandemia e apoio a causas sociais e sanitárias.
A área de marketing e comunicação da Atalanta é hoje uma das mais consistentes da Itália, porque soube adaptar-se sem perder a alma. Com campanhas que tocam o coração, um posicionamento claro e presença digital eficiente, o clube fez do marketing um aliado fundamental em sua ascensão global.
Curiosidades sobre o Atalanta.
A Atalanta Bergamasca Calcio é um clube cheio de histórias peculiares, recordes improváveis e momentos marcantes que reforçam seu caráter único dentro do futebol italiano e europeu. Abaixo, algumas das curiosidades mais interessantes sobre a Dea:
Origem mitológica do nome
O clube foi batizado em homenagem à personagem Atalanta, da mitologia grega, uma caçadora veloz e corajosa. A escolha foi feita por estudantes que fundaram o clube em 1907, inspirados em suas virtudes atléticas — uma das raras homenagens femininas no futebol mundial.
Campeã da Coppa Italia jogando na Série B
Em 1962–63, a Atalanta conquistou seu maior título nacional — a Coppa Italia — com um elenco modesto, superando o Torino por 3 a 1 na final, com três gols de Domenghini. É uma das poucas equipes a vencer a competição sem estar no auge da elite.
Semifinalista europeia… na Série B!
Em 1987–88, mesmo disputando a Série B, a Atalanta chegou à semifinal da Taça dos Clubes Vencedores de Taças, um feito inédito na história do futebol europeu. Eliminou clubes como Sporting e OFI Creta antes de ser superada pelo Mechelen, que acabaria campeão.
O 5×0 sobre o Milan que virou clássico moderno
Em 22 de dezembro de 2019, a Atalanta aplicou uma goleada histórica por 5×0 sobre o Milan, no Gewiss Stadium. Foi a maior derrota do Milan em mais de duas décadas e símbolo da nova força competitiva da Dea na elite italiana.
Primeiro hat-trick em final europeia desde 1975
Na final da Liga Europa 2023–24, Ademola Lookman fez três gols contra o Bayer Leverkusen. Foi o primeiro hat-trick em uma final europeia de clubes da UEFA desde 1975, e garantiu o primeiro título internacional da história da Atalanta.
Estádio próprio em um país de estádios públicos
Diferente da maioria dos clubes italianos, a Atalanta é dona de seu estádio, o Gewiss Stadium — adquirido oficialmente em 2017. A modernização completa da arena é símbolo de independência e gestão moderna.
“Rainha dos Provinciais”
Por ser o clube fora dos grandes centros que mais vezes participou da Série A, a Atalanta ganhou o apelido de “Regina delle Provinciali”. O título não oficial reconhece sua consistência e longevidade entre os gigantes.
A única cidade com mural de Champions em um bairro popular
Após a classificação histórica para a Liga dos Campeões, moradores do bairro de San Tomaso em Bérgamo pintaram muros inteiros com grafites homenageando os jogadores. As ruas viraram uma verdadeira galeria urbana dedicada à Atalanta.
Redes sociais oficiais
Acompanhe a Atalanta nos canais oficiais e fique por dentro de todas as novidades, bastidores, entrevistas exclusivas e conteúdos da Dea:
- Site: https://www.atalanta.it/
- Instagram: https://www.instagram.com/atalantabc/
- X. Com: https://x.com/atalanta_bc
- Facebook: https://pt-br.facebook.com/atalantabc/about/
- Youtube: https://www.youtube.com/@AtalantaBC
Perguntas Frequentes
Porque o nome Atalanta?
O clube foi batizado em homenagem à personagem Atalanta, da mitologia grega — uma caçadora veloz, habilidosa e independente. Fundadores estudantes queriam um nome que simbolizasse força atlética e espírito competitivo. É uma das raras homenagens femininas no futebol mundial.
Quem é o dono da Atalanta?
O clube é administrado pela família Percassi, com Antonio Percassi como presidente. Desde 2022, o fundo americano Stephen Pagliuca’s Group (Boston Celtics co-owner) adquiriu cerca de 55% das ações, mantendo os Percassi na gestão executiva. A Atalanta opera como uma sociedade anônima de capital misto.
Qual time é o Atalanta no FC 25?
No jogo EA SPORTS FC 25 (antigo FIFA), a Atalanta estará licenciada com escudo, uniforme e elenco atualizados. Após anos de ausência por direitos exclusivos com o PES, o clube voltou a figurar oficialmente no game da EA com seu nome e identidade reais.
Qual foi o último título da Atalanta?
O título mais recente e histórico da Atalanta foi a Liga Europa da UEFA 2023–24, conquistada com uma vitória por 3×0 sobre o Bayer Leverkusen na final. Foi o primeiro troféu internacional da história do clube.
Por que a Atalanta é chamada de “Dea” (deusa)?
“Atalanta” é o nome de uma personagem da mitologia grega, considerada uma deusa da velocidade e da caça. Por isso, o clube é carinhosamente apelidado de “La Dea”, que significa “A Deusa” em italiano — símbolo da força e elegância com que a equipe joga.
A Atalanta já ganhou a Champions League?
Não. A Atalanta ainda não conquistou a UEFA Champions League, mas teve campanhas marcantes. Em 2019–20, chegou às quartas de final, sendo eliminada pelo PSG nos acréscimos. Foi um dos destaques do torneio e ganhou projeção internacional.

